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Dia do Cliente provoca reclamações contra comércio

Escrito por Heloisa Aguieiras   
16-Set-2008

Apesar do Código de Defesa do Consumidor ter completado 18 anos recentemente e ter trazido ganhos na relação vendedor/ comprador; clientes têm muito a reclamar

Na segunda-feira (15) se comemorou o Dia do Cliente, essa categoria de pessoas que todos nós somos, consumidores de produtos e serviços. Apesar do Código de Defesa do Consumidor ter completado 18 anos na semana passada e ter tido muitos pontos positivos a se comemorar sobre as conquistas que ele trouxe ao longo desses anos, os clientes ainda têm muito a reclamar da sua relação com os vendedores, em São Sebastião do Paraíso.

Segundo o consultor João Carlos Rego, idealizador da data, este é um dia para agradecer, homenagear e reverenciar aquela figura que é a única razão da existência de todas as empresas, todos os produtos e serviços, todas as profissões e todos os postos de trabalho do mundo. Mesmo a pessoa que nunca tenha saído de casa é um cliente, usufruindo de água encanada, energia elétrica, por exemplo, e pagando por esses serviços.

Mas, com tudo isso, a relação vendedor/ cliente não é nenhum mar de rosas. O setor comercial em São Sebastião do Paraíso tem muito a aprender, na opinião dos clientes, esse ser imprescindível para girar a economia do planeta.

Para o químico, Roberto de Oliveira (41), falta muito para que ele se sinta tão importante quando é atendido nas lojas de Paraíso. “Não gosto da maneira como a maioria dos vendedores das lojas paraisenses atende seus clientes. Sinto que eles tratam com desprezo. Ressalto que não são todos, mas a maioria. Existem lojas, como a Presidente Jóias que dá prazer em entrar, pois o atendimento é excelente, não importa qual o vendedor que lhe atende. O que mais irrita quando vou as compras é chegar a uma loja, descrever o produto ao vendedor (a) e ele mostrar outro tipo de mercadoria e tentar convencer que aquele que ele quer vender é o melhor. Saio imediatamente da loja e não volto mais”, relata ele. 

Para a representante comercial, Christian Carla Caleiro Bittar Souza (35), o atendimento paraisense é precário. Ela diz que os vendedores não têm paciência e formação suficiente para desempenhar a função. “É preciso tratar o cliente com o carinho e a atenção que ele merece. Para ser vendedor é preciso ter amor à profissão, porque para o cliente existem várias portas abertas”, argumenta ela, completando que o que mais a irrita é a insistência exagerada e a mentira sobre o produto.

Caroline Silva (21) que é dona-de-casa e Flávia Cristina Cândido (18), cabeleireira, concordam que a média do atendimento comercial em São Sebastião do Paraíso é ruim. Caroline diz que muitos vendedores acham que o cliente não vai comprar e o tratam mal; Flávia não gosta com a prática de mostrarem mercadorias que não interessam.

Segundo a dona-de-casa Rosana Aparecida Souza Carvalho (41), a pior sensação para o cliente é quando os vendedores estão conversando entre eles e ignoram a presença do cliente. “Sinto, muitas vezes, que olham com preconceito, acreditando que se estamos vestidos de um jeito ou de outro, não temos dinheiro suficiente para adquirir um produto”, diz ela, sugerindo cursos e treinamento para sanar os problemas; e relata: “uma vez entrei em uma loja e duas vendedoras vieram me atender ao mesmo tempo. Elas começaram a brigar na frente sobre de quem era a vez de atender, pois ganhavam por comissão. Achei aquilo um absurdo e me senti muito constrangida com a situação. Claro que não comprei de nenhuma das duas e sai depressa da loja”, contou Rosana.

A DATA

O consultor João Carlos do Rego disse que criou a data a partir da constatação de que a fidelização e o relacionamento com o cliente são ações pouco desenvolvidas no País. "Este dia é fundamental para o comércio, pois aprimora relações comerciais, fortalece empreendimentos, estimula ações de capacitação profissional para a prestação de serviços de melhor qualidade, movimenta a economia num mês de fracas vendas, cria novas oportunidades de negócios e, com isto, colabora para a geração de emprego e renda" explica João Carlos.

Para o idealizador da data, o Dia do Cliente é para mostrar o quanto ele é importantes. Um dia para promoções especiais, campanhas de vendas, anúncios, campanhas publicitárias, ações de marketing promocional, decorações, brindes e tudo o mais que puder ser feito para reverenciar a figura do cliente. Ele entende que o propósito da data está em promover uma ampla conscientização coletiva a respeito da importância da figura do cliente.

Estratégicamente, a data de homenagens e agradecimentos ao cliente foi escolhida para ser no dia 15 de setembro, por não haver nada no calendário comercial. Segundo João Carlos, há diferenças entre cliente e consumidor, cuja data é comemorada em 15 de março. "Consumidor é aquele que compra para seu próprio uso e não para revender, já cliente é o que compra com o caráter da habitualidade de um mesmo fornecedor; a figura do antigo freguês", explica.

"É um dia para se promover uma conscientização ética nas relações de consumo, comemorar-se avanços e vitórias, difundir os direitos do cliente e do seu respectivo Código. Infelizmente, não é uma data muito conhecida, nem divulgada e, por isto, não explorada comercialmente", lamenta-se.

Fonte: Jornal A Gazeta - São Sebastião do Paraíso/MG

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